O vazio

Vazio, outra palavra que trás “filósofofarofadas” nos meios espiritualistas. Muitas pessoas acreditam que um dia “voltaremos ao vazio”, outros afirmam que precisamos esvaziar a mente e ir ao vazio. Conceitos budistas trazem o vazio com a ausência do Eu. Mas… não, não é bem assim. Pelo menos não assim como muitos interpretam. Em primeiro lugar quando vamos falar em voltar ao vazio, precisamos entender que não existe vazio, pelo menos não dentro daquilo que poderíamos imaginar como vazio. Fisicamente para os cientistas, o universo mesmo após a última partícula de matéria, é preenchido de energia pura, ao qual nós espiritualistas sabemos ser a energia dos espíritos. Os budistas também não acreditam em vazio absoluto no sentido físico, pelo contrário, assim como os cientistas, os budistas acreditam que o vazio é o espaço preenchido de energia que está além da matéria. Então, o vazio a que se refere aqui, é o vazio da matéria como a conhecemos. E dizemos “matéria como a conhecemos”, porque mesmo os espíritos são formados de matéria, embora uma matéria mais sutil do que podemos imaginar. Desse modo, voltar ao vazio também não é algo que se possa afirmar como se voltássemos a algum lugar onde não existiria a matéria.

Também não podemos entender o vazio como uma consciência do espírito de modo que os pensamentos ou sentimentos sejam totalmente eliminados eternamente. Lembrem sempre que os espíritos são seres de pensamentos, emoções e sentimentos e assim, podemos (e devemos) nos colocar em meditação de forma que esvaziamos nossa mente momentaneamente para alcançar o equilíbrio espiritual, mas, isso é uma prática de momento, com começo, meio e fim. Não pode ser algo que nos torne “ocos” por dentro eternamente. Isso vai contra inclusive ao fato de termos consciência. Como ter consciência sem pensar e refletir? É impossível.

O vazio do Eu também não é crença plausível, afinal de contas, todos temos um Eu. Por exemplo, EU escrevi este texto e agora você está lendo, ou seja, existe um Eu e um NÓS sim. Mas então, o que é vazio do Eu? Vazio do Eu se refere ao fato de que se nós começarmos a refletir sobre o que é o Eu, iremos muito profundamente eliminar muitas coisas que não são o Eu, ficando apenas a essência última, a substância última que reencarna, que se movimenta, que reflete, que sente, ou seja, o espírito. Nós não somos o nosso corpo, atitudes, manias, pensamentos, sentimentos, ações, mas, nós somos o ser que tem o corpo, que age, que tem manias, que tem pensamentos e sentimentos. Assim sendo, de forma fácil vemos aqui que afirmar que não existe um Eu em absoluto é mais uma filósofofofarofada.

Outra questão do conceito do vazio é o fato de se acreditar que tudo é vazio de existência intrínseca, ou seja, tudo depende de causas e condições para existir. Mas, para nós espiritualistas, essa afirmação também não é correta, pois, Deus, a matéria e o espaço existem por si só, mesmo que não compreendamos isso, como bem debatido no livro Deus a Teoria de Tudo. Então, o vazio da existência intrínseca só passa a valer para tudo o que vem depois de Deus, da matéria e do espaço.

Oficialmente

Então, o que podemos colocar como “vazio”? Na verdade nada ou ao mesmo tempo várias coisas. Todas estas coisas que citamos podem e trazem entendimentos sobre o vazio e analogias onde a palavra vazio pode estar inserida, porém, precisamos compreendê-las em seus ensinamentos e não distorcer fatos. Por exemplo, se eu lhe mostrar um copo e perguntar a você se o copo está vazio ou cheio, você talvez me diga que ele está vazio no sentido de não ter nenhum líquido dentro dele. Mas então eu posso afirmar que o copo está cheio de energia, de átomos dentro dele. Assim o copo está cheio ou vazio? Depende de que sentido estamos dando a questão. Você está certo se não levar em consideração que ele está “cheio de energia dentro dele”, porque você está levando em consideração a matéria como a conhecemos e eu estou certo porque ele realmente está cheio de átomos. Então como dito, podemos usar isso para uma lição, mas que lição estamos querendo aplicar? Se não for bem explicado o sentido da lição, ela pode se tornar inclusive  uma “lição vazia de sentido”.

Do mesmo modo, quando vamos afirmar que tudo é passageiro e nada é fixo porque não tem vida própria, estaremos esquecendo que o espírito é eterno, que Deus é eterno e assim, afirmar que tudo é vazio de existência é um erro. Assim, temos aqui mais uma vez a importância do significado das palavras, da interpretação, do contexto  e da comunicação para entendermos corretamente o ensinamento. 

Publicado por irmandadedolotus

Ainda não quero falar

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