Em primeiro lugar queremos deixar claro que existem diferente propósito pelas quais se pode realizar uma dieta e aqui, precisamos lembrar que o CEU de Nossa Senhora Aparecida existe dentro de um contexto e assim sendo, os motivos que levam ao CEU adotar a dieta do Rapé, podem e vão muitas vezes ser diferentes dos propósitos originais. Em segundo lugar queremos deixar claro que a dieta do rapé tem variantes de povos para povos, não sendo apenas realizada com uma lista pré definida. O CEU de Nossa Senhora Aparecida se reserva o direito de repassar a sua dieta dentro do contexto em que atua, não tendo em momento algum qualquer viés de ser ou não melhor, mas sim, de estar dentro da realidade daqueles que fazem parte do mesmo.
O que é o Rapé
O rapé é um pó feito de tabaco, cascas de árvores, ervas e demais plantas moídas, que são misturados e triturados, formando um pó fino, que por sua vez é aspirado e soprado pelas narinas. Surgiu nas tribos indígenas da América do Sul. No Brasil o consumo do rapé era difundido até o início de século XX. O rapé é citado inclusive em obras de Machado de Assis em “Bote de rapé”, de Helena Morley em “Minha vida de menina” e Eça de Queirós em “Os Maias”. Hoje o rapé é visto principalmente por suas propriedades espirituais em trabalhos Xamânicos dentro da cultura indígena, mas, é possível encontrá-lo de forma fácil a venda na internet e até em tabacarias.
Efeitos
Os efeitos iniciais do rapé são rápidos e intensos com duração relativa, porém em média de trinta minutos. Podemos constatar como efeitos do rapé: tanto a euforia, agitação, taquicardia e tremores, quanto calma para o corpo e mente, ajudando inclusive em problemas como insônia, ansiedade e depressão, entre outros efeitos. O Rapé também pode ser eficiente em tratamentos de dependência química e doenças mentais, bem como para limpar as vias respiratórias de mucos e bactérias, melhorando a respiração.
Tipos de Rapé
Existem vários tipos de rapés e misturas de composições diferentes. Cada tribo usa componentes diferentes para fazer o seu rapé, que tem variações em seus efeitos de acordo com os seus ingredientes. Não podemos esquecer também que hoje existem “fábricas de Rapé”, ou seja, o Rapé virou algo comercial e assim, é preciso cuido inclusive com o tráfico de drogas se aproveitando do Rapé, colocando substâncias que podem trazer prejuízos a nossa saúde além de dependência química.
Dentre os rapés mais comuns podemos citar o Tsunu ou Pau Pereira, o Canela de Velho, o Murici, o Cumaru, o Mulateiro, o Yopo, Cajueiro, Cacto São Pedro, Catuaba e Cardamomo e Jurema Preta. Destes, o Rapé de Yopo contém sempre misturas adicionais de DMT, sendo assim considerado uma “mini Ayahuasca” por muitos.
Como utilizar
A utilização do Rapé pode se dar de através da utilização de dois instrumentos chamados de “tipi” (ou tepi) e “kuripe”. O tepi é um cano feito de modo geral de bambu, para ser soprado de pessoa para pessoa. Já o Kuripe tem forma de “V” que permite a auto aplicação. Em rituais espirituais de modo geral temos a utilização do tepi, já que temos a figura do pajé, ou de outra pessoa soprado o pó durante o rezo. Assim como toda e qualquer medicina, o Rapé também pode ser usado de forma “recreativa” e assim poder ser comparado apenas a uma droga qualquer.
A dieta do Rapé em um contexto histórico
A iniciação do rapé ocorre para que um aspirante a guardião da medicina do rapé possa receber toda a doutrina do rapé, sendo acompanhamento por um iniciador. Ela é realizada durante 21 dias para pessoas fora do contexto indígena e de modo geral, durante 90 dias para aqueles que são indígenas ou que fazem dentro do contexto indígena. Ao longo da dieta busca se trabalhar a mente, o espírito, as emoções e a matéria, através da abstenção de todos os prazeres ilusórios da matéria e da conexão com o rapé durante as meditações diária sob o efeito do mesmo. É uma busca de se reencontrar com a essência espiritual, adquirindo seu autoconhecimento, seu poder pessoal e sua força espiritual. Dentre as abstenções durante a dieta, temos: consumo de nenhum tipo de carne de origem animal, consumo de nenhum tipo de drogas incluindo álcool, o consumo de açúcar ou mesmo o consumo de doces ou paladares doces, não é permitido sexo ou auto sexo, entre outras restrições. Mas, como dissemos, as dietas variam. Por exemplo, entre os povos indígenas da Amazônia, a dieta de um caçador que irá acampar durante vários dias na mata para trazer carne para a comunidade é diferente da dieta de um pajé que se aprofunda no estudo da ayahuasca ou do rapé.
Muitas pessoas ficam curiosas e visitam esses povos para ampliar o estudo da pajelança e curandeirismo amazônicos. Os shawãdawas, hunikuin, katukina, yawanawa e outros do Acre normalmente introduzem a dieta do rapé para não índios interessados no tema. Essa dieta é vista como um primeiro passo para se conhecer com mais respeito as medicinas da floresta. As comidas preparadas para as pessoas que estão nessa dieta são preparadas especialmente para elas e não podem ser divididas com outros que estão se alimentando normalmente para que o propósito da energia se preserve. Para muitos, durante a dieta, o rapé deve ser auto aplicado durante os dias. Não se restringem o número de aplicações, mas se sugere uma disciplina de pelo menos dois ou três sopros por dia: uma ao acordar, em jejum; uma ao anoitecer e um antes de dormir. Diz-se que a primeira e a última aplicação do dia são fundamentais nesse estudo. Por ser um estudo pessoal que irá familiarizar a energia do estudante com a medicina da floresta, a pessoa não pode receber sopro de outras pessoas durante a dieta. A ideia de se eliminar certas atividades e alimentos durante o período é de purificar o corpo e limpar o canal espiritual. Esse jejum voluntário retira certos vícios alimentares comuns e coloca a pessoa em estado mais intenso de auto-observação. Assim ela terá mais clareza dos ensinamentos da floresta ao consagrar o rapé e outras medicinas.
Os pajés mais velhos também conhecem outras dietas para afastar doenças e conhecer outras medicinas. No entanto, são estudos mais profundos que devem ser passados pessoalmente àqueles que estão trilhando o caminho, preservando a tradição e os mistérios da floresta.
Dentro do contexto do CEUNSA
Diferente do contexto feito dentro de uma aldeia ou na mata, precisamos entender que o contexto urbano traz desafios diferentes. Buscar harmonia estando na cidade e precisando cumprir cargas horárias de trabalho, bem como conviver com várias pessoas totalmente fora da busca de quem aplica a dieta é bem mais complicado, convenhamos. Então, é preciso flexibilidade. Assim sendo, agora vamos repassar o modo com que o CEU de Nossa Senhora Aparecida.
Dentro do contexto da dieta do rapé aplicada no CEU, não é necessário:
* Abstenção de sexo quando dentro de um relacionamento amoroso estável;
* Se recolher em um retiro, ou seja, você pode aplicar a dieta e continuar sua vida profissional, familiar, etc;
Dentro do contexto da dieta do rapé aplicada no CEU, é necessário a abstenção 100% de:
⛔🔕
Açúcar e adoçantes;
Leite de origem animal;
Qualquer tipo de industrializado artificial;
Óleo de soja
Dentro do contexto da dieta do rapé aplicada no CEU, pode ser utilizado de forma moderada (bem pouco):
Farinha aveia;
Sal;
Pipoca🍿 (com o mínimo de azeite)
Dentro do contexto da dieta do rapé aplicada no CEU, pode ser utilizado:
Grãos, por exemplo, lentilha, amendoim, feijão, grão de bico 🥜🥔
Carboidratos
Tubérculos (tudo direto da terra), por exemplo, batata doce, batata baroa, inhame, abóbora, aipim e arroz. 🍠🌰🍚
Legumes e Verduras, todos. 🥦🥒🍆🥕🧅🥬
Proteínas, por exemplo, ovo, soja e cogumelo. 🥚 🍳🍄
Frutas e sucos direto da fruta (todas) 🍐🍉🍓 🍋🍇🍓🥝🥥🍍🥭🍑🥑
Outras dicas:
Carne de soja apesar de ser industrializada pode, desde que não tenha conservantes;
Como não pode óleo de soja, pode-se utilizar Azeite (só um “fio”, nada de exagero também) para fritar algo;
É permitido usar bem pouco melado de cana, porém;
Cana de açúcar não pode porque apesar de ser natural, ela é justamente muito rica em açúcar;
Pepino desde que seja feito em conserva caseira (ou seja, você mesmo deve fazer a conserva sem açúcar e com pouco sal);
Palmito desde que não tenha conserva.
Sugestões de lanches e comidas
* Caneca de suco de couve manteiga (2) + uma maçã metade ou inteira (tem pra tomar tudo, pois o suco oxida). Ajuda a desinflamar o corpo (bom para fibromialgia).
* Panqueca: Um ovo + chia + farinha de linhaça, batido no liquidificador e colocado para fritar na frigideira de teflon. Não usa óleo. O recheio pode-se fazer com duas bananas (a gosto) frita na air fryer, sem usar óleo. Boa para diabetes e desinflamar o corpo.
* Panqueca: Uma banana + uma colher de coco ralado + canela a gosto. Untar na frigideira com óleo de coco. Assar em fogo baixo e tampado. Pode colocar um ovo também.
* Jantar: Aipim, legumes com lentilha, arroz e ovo.
* Café coado com canela.
* Shitake, lentilha, batata na airfryer e temperinhos naturais.
* Banana amassada com granola vegana e canela.
* Água com limão ajuda a filtrar os rins e também diminui a fome excessiva.
* Chimeji (cogumelo) com páprica defumada e um pouquinho de sal.
* Omelete de legumes: Omelete misturado com legumes.
* Couve flor cozida e depois gratinada no forno com ovo com temperos verdes.